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domingo, 4 de outubro de 2015

Carta aos alunos

Queridos alunos do 9ª A e B,

Lembro-me bem do dia que ela chegou: eu estava na quinta série (atual sexto ano), estudava no período da tarde, no Colégio Estadual Unidade Polo.

O nome dela era Maria Helena.Trouxe uma caixa de livros pra sala. Colocou sobre uma cadeira, lá pertinho do quadro e disse que a gente teria que ler 10 livros até o final do ano. Quando vi os livros, quase morri: eram grossos, velhos, preto e branco, e tinha um desenhinho só, a cada dez páginas mais ou menos. “Affffff, claro que não vou conseguir!” pensei.

Mas aí a ‘desgramada’ chegava e abria um daqueles livros e começava a contar as mais belas aventuras: aquelas com heróis de verdade viajando por lugares do mundo que eu nunca nem sonhara que existia, ou que realmente não existiam, mas que eu criava perfeitamente em minha cabeça. Outras vezes, eram romances com detalhes tão reais que me deixavam tão curiosa, ficava doida de vontade de saber o final. Acabava ficava com raiva dela, porque sempre que a turma toda estava em silêncio, com a boca aberta prestando atenção nas caras e bocas que ela fazia, a bendita fechava o livro e dizia que quem quisesse saber o final que fosse à biblioteca emprestar o livro.

Nem sempre tinha pra todo mundo “aquele livro”, então eu esperava um colega devolver, doida pra saber o final.
No início foi difícil, eu recorria ao dicionário diversas vezes para saber o significado de muitas palavra que jamais teria ouvido e lia só os livros mais finos. Com o tempo conseguia ler mais rápido, meu vocabulário foi aumentando e já procurava pelos livros dos autores que eu mais gostava.

Hoje agradeço aquela briguenta por me obrigar a ler e  ao mesmo tempo por atiçar a minha curiosidade. Pude viajar por tantos lugares e mundos, conhecer tanta gente famosa, doida, que se parecia comigo, que não tinha nada a ver comigo, com quem aprendi, por quem me apaixonei, tantas vezes chorei, e também gargalhei, e tudo sem sair de casa, da minha cama, da rede, ou do sofá da sala.

A leitura também me ajudou a passar no vestibular, a ir bem nas minhas duas faculdades (Pedagogia e História, ambas na UEM – e sim, também sou professora de História), e a passar em concursos.
Atualmente tenho pouco tempo, mas estou lendo três livros: o primeiro, sobre a História das Mulheres no Brasil, o segundo, um romance lindooo que a professora Beatris me emprestou, e o terceiro, A Cadeira de Prata, o sexto das Crônicas de Nárnia, que leio um capítulo toda noite com meu filho de oito anos. Já lemos os outros cinco, iniciamos em junho.

Pensem que não é difícil, talvez só no início...  Quando você descobre como é bom, e a quantidade de benefícios que traz essa coisa mágica que se chama leitura, com certeza vão agradecer e se lembrar daquela professora que ao invés de fazer o mais fácil, que é ensinar apenas ortografia, pontuação e outras coisas chatas, brigou com vocês e os incentivou a trilhar nesse caminho sem volta.

Um grande abraço a todos.

Elisângela Casale Marquioto Prado - Professora Pedagoga



PS: Não adianta pedir o nome do romance, porque ele não é adequado para idade de vocês.

Um comentário:

  1. Olá ,Elisângela,gostei muito de saber sobre sua história de quando você era adolescente, bem me identifiquei muito.Bem no começo não gostava de ler muito, pois eu achava a leitura um oh.. mas eu tinha que ler contra minha vontade porque a professora sempre pedia, mas com o tempo fui gostando da história daquele livro pois me chamou atenção de alguns pontos interessantes do que os personagens faziam no livro, e tudo foi dando sentido na minha cabeça. Bem agora entendo por que os professores pedem para os alunos ler os livros.
    Elisângela agradeço por contar sua história sobre a literatura na sua adolescência, pois me ajudou a ver novos horizontes.
    Quero dizer para todos que não tem o abito da leitura, para que comecem a ter, pois a leitura transforma.
    Um abraço saudoso.


    Aluna :Jheniffer de Fatima Furlaneto de Carvalho
    9º ano B

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